Quando a ansiedade e a depressão caminham do nosso lado...

quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Faz um bom tempo que eu venho com vontade de escrever sobre esse tema, nunca tive coragem...
Mas hoje pensei depois de algumas palavras do meu marido, porque estou relutando para falar sobre esse assunto? Só quem passou ou passa por isso sabe o quanto dói... Então, cá estou eu, de coração aberto, dando a cara para bater, relatando a fase mais complicada da minha vida! Quem sabe com o meu relato (lembro que quando entendi que meu problema era psicológico, eu virava noites lendo relatos, me vendo em cada linha de alguns textos), eu possa te confortar, dizendo que você não está sozinha(o) nessa, e que procure ajuda o quanto antes! Sem preconceito, sem medo! 



Há 7 anos fui diagnosticada com TAG, (Transtorno da Ansiedade Generalizada), ataques de pânico e uma quase depressão (sim, ansiedade patológica não tratada gera depressão).

Todos sabemos que ansiedade todo mundo tem! Isso é fato! É um mecanismo de defesa do nosso corpo, é natural e necessária, permite que nos preparemos antecipadamente para enfrentar determinada situação. Sem ela, ficaríamos totalmente vulneráveis aos perigos e ao desconhecido.

Agora quando a ansiedade passa a surgir repentinamente, em momentos em que não há nenhum risco real ou quando é desproporcional à situação vivida no momento, ela pode ser considerada patológica.

Foi isso que aconteceu comigo! Eu, ansiosa, perfeccionista, detalhista e auto crítica desde o útero da minha mãe (nasci de oito meses para provar kkk), me via esposa, dona de casa, com um bebê de 2 anos e meio, outro  de alguns meses e tentando me firmar em outra profissão pois tinha recém deixado meu trabalho. Me sentia falha em todas as funções. Sentia culpa 24 horas por dia! Mas até aí ok, pensava comigo, qual mãe não passa por isso e enfrenta barras muito piores que a minha? Acontece que por algum motivo não ligado a um trauma de vida ou algo assim, alguma disfunção lá dos neurotransmissores da minha cabeça, em mim, desencadearam essa doença. A ansiedade fisiológica (normal do organismo) começou a se tornar patológica (doença) e eu só fui dar conta quando cheguei lá no fundo do poço...

Meus dias eram um caos... eu tentava fazer n coisas e no final sentia que tinha falhado em tudo... Não tinha a mínima paciência para nada, não conseguia me concentrar e não me permitia estar feliz. Nos raros momentos em que estava alegre, curtindo com minha família, algo gritava lá dentro: "Ei! Espere aí! Será que algo vai acontecer? Porque estou tão feliz?
Hoje enxergo isso como algo totalmente patológico, como sintoma da doença, mas no momento era muito real o perigo se aproximando.

Bom, daí para frente só fui descendo ladeira abaixo, junto da ansiedade e do turbilhão de pensamentos começaram os sintomas físicos. Essa é uma dica que eu deixo para você que está lendo, tua ansiedade pode não ser só uma fase mais tensa na sua vida quando além da ansiedade surgem sintomas físicos quase constantes! 
Na época eu nem imaginava que esses sintomas físicos tinham ligação com o psicológico, é engraçado como ficamos cegos e ignorantes quando tudo está um caos.

E o que eu comecei a sentir? (vou relatar as minhas fases)

Meu primeiro sintoma físico foi falta de apetite (em outras pessoas pode acontecer o contrário, muita vontade de comer). No meu caso eu não tinha a menor vontade de comer. Na época eu já estava magra por amamentar, sem comer emagreci 12 quilos e cheguei a pesar 49kg com 1.69m de altura (eu olho essa foto e choro).

Meu marido queria morrer de preocupação, não conseguia entender o motivo, e não conseguia me ajudar porque eu fugia, e quando ele insistia eu brigava feio.
Agora pasme como nossa mente é poderosa, no auge da doença eu não conseguia ver que estava só pele osso porque eu não comia! Eu achava que estava doente, que ia morrer! E daí que entraram em cena fortemente os pensamentos irreais de ansiedade... eu achava que estava morrendo!

Conclusão, tudo isso virou uma bola de neve, quanto mais ansiosa eu ficava, menos dava atenção pra minha família, mais culpa eu  sentia, e mais sintomas físicos apareciam... veio tontura, frio num calor do Saara, mãos e pés sempre suando e gelados, e a temida e sem noção CRISE DE PÂNICO!

Do nada, absolutamente sem mandar aviso, em qualquer lugar e hora (até na festa de aniversário do meu marido e muitas e muitas vezes no meio da madrugada) meu coração acelerava absurdamente!
E eu é claro, jamais pensava que era meu corpo reagindo a minha mente. O que eu pensava? Que ia morrer! rs... Que estava tendo um infarto!
Meu coração passava dos 170 bmp e a pressão no pico do pânico lá na casa dos 16X11. Hoje entendo que era descarga de adrenalina, e que minha mente estava dando sinal para o meu corpo fugir de um super perigo!
Mas eu cega de ansiedade ficava mais nervosa ainda e tudo ia piorando, vinha falta de ar, sensação de formigamento e etc... Quase matava de fato o meu marido, às vezes meus pais, que saíam correndo comigo para o Pronto Socorro... Nunca descobriram nada, e eu saía de lá depois de um belo calmante! Bem... perdi as contas de quantas vezes fui parar na emergência e quantos exames do coração e até tomografia cerebral eu fiz nessa época! Para mim era fato que eu ia morrer e que ninguém descobria!

Eu só chorava... (olha a depressão começando a querer se instalar aí minha gente), vivia sem vontade de conversar, sem vontade de me arrumar, não tinha força pra cuidar da casa, fazer comida. Eu só cuidava das crianças por graça de Deus, acho que como mãe a única força que me restava eu usava para eles.

Minha família estava sem chão, meu marido quase louco junto comigo, triste, perdido mesmo tadinho... Ele foi com certeza minha fortaleza na época!

Enfim, cheguei no fundo do poço... chorava a cada respiro... chorava descontroladamente ao ver meus pais... e só sabia pensar no pior para tudo! Até que numa crise forte na casa dos meus pais, eles e meu marido (que já tinha lido sobre depressão e afins) marcaram uma consulta com um psiquiatra.

Na altura do campeonato eu fui! Naquele momento para ter minha vida de volta eu comeria até cocô se me dissessem que eu melhoraria!

O médico nem precisou de muito para me diagnosticar... meu caso era mega gritante para qualquer profissional da área. Comecei a tomar antidepressivo e ansiolítico... Demorou cerca de três semanas para eu sentir algum mínimo resultado... e cerca de 6 meses para ter minha vida de fato de volta! A medicação não é mágica e nem faz milagres, é preciso paciência e persistência pois os primeiros meses não são fáceis! Os sintomas pioram, tive alguns fortes efeitos colaterais, mas valeu a pena! Tudo para tirar de mim aquela dor irreal!

Hoje eu continuo com uma dose mínima de medicação pois se paro totalmente a ansiedade volta com tudo! Principalmente em fases de maior estresse. E claro que vez ou outra, não vou mentir, ainda tenho algumas crises de pânico e alguns altos e baixos. Elas talvez irão me acompanhar para sempre. Mas hoje são bem mais tranquilas e eu consigo raciocinar no meio delas, sei que a causa é meu psicológico!
Depois de estudar muito, de escutar muito quem entende do assunto aprendi que quem desenvolve ansiedade, pânico e depressão não se cura totalmente, apenas aprende a lidar, aprende a ter controle sobre a mente.

No meu caso eu nunca tive o pensamento de tirar a vida... mas entendo perfeitamente o motivo de muitas pessoas se suicidarem... eu procurei ajuda a tempo, mas talvez se tivesse deixado passar, a dor, a tristeza, o desespero da ansiedade piorando a cada dia ficasse tão forte que talvez meu pensamento fosse o de acabar com tudo... acabar com o meu sofrimento e o da minha família... porque nos sentimos culpados o tempo inteiro!

Por isso hoje eu não admito uma pessoa dizer que depressão e ansiedade é frescura, é falta do que fazer ou falta de Deus no coração!
Quanto a Deus, mais do que eu pedi de joelhos a Ele para me ajudar! Mais fé que eu tenho, impossível! O problema é que poucas pessoas encaram uma doença psicológica como outra qualquer.  Uma pneumonia se trata com remédio, não é frescura! E não será rezando que a pessoa irá se curar! O mesmo acontece com a depressão e a ansiedade! É preciso tratamento! Deus faz parte do processo para quem tem fé, foi Ele que me deu forças e me manteve em pé... mas não foi por milagre que melhorei.

Eu não sei o motivo, mas no meio do artesanato existem muitas e muitas artesãs e artesãos que enfrentaram essas batalhas e outras tantas e tantos que estão enfrentando... Por isso, resolvi abrir para você a fase da minha vida que mais me senti vulnerável, incapaz, etc... temos de perder a vergonha de falar sobre isso! Temos de mudar a consciência das pessoas! Temos de ser a mão que levanta e não o dedo que aponta! Peço desculpas pelo texto gigante...  mas espero que pelo menos uma pessoa a ler meu relato e se enxergue nele, busque ajuda! Por favor, não demore! Não tenha vergonha, não tenha medo!

Força! Você irá conseguir!

Se você já passou pela depressão, ansiedade, etc... escreva aqui nos comentários seu relato! Vamos mostrar para as pessoas que tudo isso é sério demais! E que merece toda atenção do mundo! Nosso relato também ajuda e muito a quem está enfrentando essa batalha.

6 comentários

  1. nossa que lindo,vezes oenso que tenho algo no consigo desenvolver nada no mesmo tempo qur tenho vontade essa mesma vontade passa,mais gwnto seguir sinto que brigo muito aqui em casa maos qua do vejo j foi to no meio da briga dos gritos sinto que algo...

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  2. Sou artesa, fui ao psiquiatra hoje pois a 3 meses venho tendo crises de ansiedade, acho que o que desenvolveu foi o fato de nós queremos dar conta de tudo e não conseguir, artesa tem que passar orçamento, tem que dar conta da encomenda no prazo, cuidar da casa filhos e outros afazeres achamos que somos de ferro e damos conta, madrugadas viradas, e fazer uma encomenda ja pensando na outra e no que tem que fazer em casa, e muita coisa para uma mente só. A mente e o corpo nao aguenta no meu caso ainda demorou para dar pane foram 5 anos nessa vida louca,e agora q veio dar pane, mas bora se cuidar. Obrigada pelo seu relato

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  3. Pois é a mente é nossa maior vilã. Eu sou tão inteligente pra tanta coisa mas ao olhar pra mim nos momentos de lucidez me acho uma burra! Sei que não estou bem. Sei que não estou feliz pelo contrário é uma tristeza tão profunda que tenho msm pedido pra Deus que me leve pq ando cansada de tentar e ficar só patinando sem sair do lugar. Mas ao msm tempo sei que não posso ser egoísta a ponto de me entregar assim pq tenho quem dependa de mim. Juro que não é fácil

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  4. Pam, adorei o seu relato! Que bom que vc teve a coragem de fazê-lo .
    Fui diagnosticada com depressão recorrente e TAG. Faço tratamento desde 2013. Não tem sido fácil! São muitos altos e baixos (mais baixos, para ser sincera).
    Há um ano, fui diagnosticada com fibromialgia, o que piorou mais ainda as coisas por aqui.
    Tive que abrir mão do meu trabalho (sou formada em Música e dava aulas), por falta de força física. Sinto dores terríveis!
    Por indicação da minha psicóloga, resolvi trabalhar com o artesanato, já que tenho talento para as artes manuais, e como já sabia fazer artigos em feltro e tbm já tinha a maioria dos materiais necessários.
    Pra me incentivar, uma amiga e irmã da igreja em que era membro, fez uma encomenda de 3 bonecas serelepes. Procurei o molde na internet , risquei e cortei os feltros... montei 2 e até hj não consegui terminar a encomenda. Pq não sei fazer? Não. Por não conseguir pegar na agulha sem passar mal. Tenho crise de pânico quando começo a fazer. Com isso, choro mais ainda, me sentindo uma incompetente e irresponsável. Já faz 6 meses que estou tentando terminar as bonecas e não consigo.
    Fico muito mal com isso, pq amoooooo costurar. Sou muito perfeccionista e detalhista. Faço tudo muito bem feito! Todo mundo gosta do que faço por fazer bem feito.
    Quero muito trabalhar só com o artesanato, mas quem vai ter confiança de encomendar alguma coisa comigo, já que não estou "tendo responsabilidade". Tudo isso me chateia ,pq sempre fui muito responsável e competente em tudo o que fazia, mas de 5 anos pra cá me tornei outra pessoa que não reconheço.
    Tomo medicamentos controlados e sempre terei que tomar, como diz o meu médico, senão corro o risco de piorar mais ainda.
    Meu marido tem sido um companheirão, me compreende, me ajuda e me dá forças. Acredito que se não fosse por eu ter esse apoio dele e por suas orações por mim eu não estaria mais aqui. Deus tem cuidado de mim dia após dia. Só o imenso amor dele por mim para me sustentar!

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  5. Pâmella Miraglia, eu sofro de depressão e, sempre pensei que tal não me aconteceria porque sempre me considerei uma pessoa forte. Comecei exactamente por ter crises de ansiedade, de pânico e até desmaiava. Tinha episódios de estar feliz e outros de me sentir completamente alheada e "fora de mim". Os anos foram passando, passei por problemas de saúde (doença de Crohn e Estenose Pilórica), comecei a emagrecer, a vomitar tudo o que comia devido à doença, e a minha disposição e vontade de viver sumiam cada vez mais pois estava farta de sofrer. O meu Marido coitado suportou tudo, incluindo o meu humor e cheguei a um ponto de estar só pele e osso. Isto iniciou-se em 2007. Após 2 cirurgias, muito sofrimento, comecei a melhorar, mas a ansiedade continuava lá, apenas estava adormecida. Sem nunca pedir ajuda, pois achava que tudo estava bem comigo e tudo se devia à doença que tinha. Em 2012 voltei a ser internada e estive 2 anos e meio a dieta líquida, voltei a sentir-me muito em baixo, a sentir que nada valia a pena, mas lutava pelo Marido e pela Filhota. Voltei a ficar melhor, até ao dia em que perdi a minha Mãe para o cancro, e tudo se desmoronou como um castelo de cartas, foi nessa altura que a minha Médica me recomendou que fosse assistida por um Psiquiatra, o que aconteceu, e veio a confirmar-se que tinha uma Depressão, a confusão que essa palavra me fez, pois achava que estava tudo bem comigo. 4 anos depois, e muita medicação depois, não estou "curada" da depressão, mas controlada. Tal não quer dizer que não tenha períodos em que me sinto mais em baixo, mas são cada vez menores. A minha família foi sempre o meu grande apoio e por eles lutei como nunca tinha lutado, mas lutei também por mim. Procurem sempre ajuda, pois esta é uma doença silenciosa, nunca tenham vergonha de pedir ajuda. Para terminar, a minha doença também me tem estado a afectar as articulações e eu faço trabalhos em feltro por hobby, quando estou com dores dificilmente consigo terminar seja o que for, mas apesar de por vezes ter vontade de desistir, tento não o fazer pois seria mais fácil e, uma das coisas que o meu Psiquiatra me disse foi para ter um hobby e não desistir, pois ajuda imenso a mente a se concentrar noutra coisa que não o sofrimento e a ansiedade, e pela minha família continuo lutando. Obrigada Pâmella pelo seu testemunho... Um beijinho e muita força

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  6. PARABÉNS PELO RELATO! A COBRANÇA E O APONTAR FAZ COM QUE A GNT SE SINTA CULPADA POR TD, SE NOSSO FILHO NÃO COME É CULPA NOSSA, SE A CASA ESTÁ BAGUNÇADA É CULPA NOSSA. INFELIZMENTE ISSO PEGA A GNT DE JEITO, E REALMENTE É UMA LUTA NÃO SE ABATER.

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